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Forro de estuque tem amianto? Como demolir e descartar sem prejudicar a saúde das pessoas?

Por Arq. Me. Iberê Moreira Campos e equipe

Questão colocada pelo leitor

Li o artigo do Prof. Iberê sobre reforma de casas antigas e gostaria, se possível, que me ajudasse a esclarecer o seguinte: moro numa daquelas casas típicas construidas em São Paulo entre as décadas de 30 a 60, com telhado de telhas francesas e forro de estuque. Estou prestes a substituir o forro, que já apresenta sinais evidentes de deformação, por uma laje pré-moldada conforme citado no artigo. Minha dúvida: vocês saberiam dizer se as placas e argamassas usadas na época para confecção do estuque continham amianto? Pergunto isso para saber se devo tomar algum cuidado extra, de modo a reduzir a poeira gerada durante a remoção do forro.


Nossa respostaO leitor possivelmente está confundindo formação de poeira com o uso do amianto nos materiais de construção. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, a precaução em relação ao uso do amianto vem do fato dele supostamente ser cancerígeno. Isto já se mostrou verdadeiro no caso de quem trabalha nas fábricas que usam este material, mas até onde sei não se provou coisa alguma em relação à quem trabalha nas obras. A poeira gerada pela remoção dos antigos forros de estuque ou de madeira deve-se ao acúmulo de poeira em cima destes locais, ao longo das décadas, que se junta à própria poeira da demolição do estuque, que era feito com cal e areia bem fina. Mas não é algo que assuste quem está acostumado a trabalhar em obras de reforma. Basta usar uma máscara e o trabalhador estará resguardado contra alergias e outros problemas respiratórios.

Os fabricantes e defensores do uso do amianto dizem que o amianto crisotila (amianto branco) não foi o responsável pelo câncer de vários trabalhadores no passado, mas sim o amianto do tipo anfibólio (que é proibido no Brasil). Dizem que a biopersistência (tempo de permanência das fibras no pulmão antes de serem eliminadas) da crisotila é completamente diferente da apresentada pelos anfibólios, sendo que as fibras destes últimos possuem significativa permanência, enquanto a crisotila é rapidamente eliminada do pulmão. No passado, como não havia informações suficientes, os trabalhadores ficavam totalmente expostos a essas fibras, mas hoje há leis que regulamentam a extração, industrialização, utilização, comercialização e transporte com segurança.

De qualquer forma, o amianto não era usado na época em que a casa do leitor foi construida. Os forros de estuque eram feitos de areia fina e cal, além de um pouco de gesso ou cimento. Esta argamassa era aplicada sobre uma tela de arame (também chamada de “deployé”) fixada com pregos numa trama de madeira (veja figura ao lado, que mostra um forro de estuque que cedeu e desmoronou). Mesmo sem amianto, a poeira gerada vai ser grande. Pode-se molhar o forro por cima antes da derrubada, para dar uma aliviada, mas prepare-se porque vai sujar bastante e gerar várias caçambas de entulho.


Publicado em 05/03/2008 às 11:20 hs, atualizado em 03/04/2018 às 17:38 hs


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